Ficção

Caminhos de Lavanda

Caminhos de Lavanda

O caderno tinha manchas de chá e coordenadas imprecisas. «Não é um mapa», avisou a mãe antes de partir. «Es um convite.»

Pedro e Luísa alugaram bicicletas velozes demais para suas pernas cansadas. A primeira subida os fez rir da própria prepotência.

No quilômetro doze, o asfalto acabou. Em seu lugar, um caminho roxo de lavanda e poeira dourada. O cheiro era tão forte que parecia memória sólida.

Pararam numa casa de pedra onde uma senhora ofereceu água e silêncio. «Sua mãe passou aqui num outono», disse ela, sem perguntar quem eram.

À noite, sob estrelas sem nome, entenderam o convite: não era chegar a algum lugar. Era aprender a atravessar juntos.

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